FELIZ 2016

quinta-feira, 31 de março de 2016

Marco Aurélio diz que impeachment sem respaldo jurídico "transparece como golpe"...


Ministro Marco Aurélio Mello

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio disse nesta terça-feira (30) que o processo deimpeachment da presidenta Dilma Rousseff pode "transparecer como golpe" se não houver fato jurídico para justificar o impedimento. 
De acordo com o ministro, o eventual afastamento de Dilma não vai resolver a crise política instalada no país. O ministro conversou com jornalistas na tarde desta quarta-feira, antes da sessão do Supremo.
Marco Aurélio repercutiu a declaração da presidenta Dilma durante cerimônia de lançamento da terceira fase do Programa Minha Casa, Minha Vida, no Palácio do Planalto, na manhã desta terça. No evento, Dilma reafirmou que o processo de impeachment aberto contra ela na Câmara dos Deputados é golpe porque não há crime de responsabilidade. O ministro é primo do ex-presidente Fernando Collor, que sofreu impeachment em 1992.
“Acertada a premissa, ela tem toda razão. Se não houver fato jurídico que respalde o processo de impedimento, esse processo não se enquadra em figurino legal e transparece como golpe. Agora, precisamos aguardar o funcionamento das instituições. Precisamos nesta hora é de temperança. Precisamos guardar princípios e valores e precisamos ter uma visão prognostica”, disse o ministro.
Para Marco Aurélio, o eventual afastamento da presidenta não vai resolver a crise política. “Nós não teremos a solução e o afastamento das mazelas do Brasil apeando a presidenta da República. O que nós precisamos, na verdade, é de entendimento, de compreensão e de visão nacional”, argumentou. 
No entendimento do ministro, se o Congresso decidir, durante o processo deimpeachment, que a presidenta cometeu crime de responsabilidade o STF poderá discutir o caso.
“O judiciário é a última trincheira da cidadania. E pode ter um questionamento para demonstrar que não há fato jurídico, muito embora haja fato político suficiente ao impedimento. E não interessa, de início, ao Brasil apear esse ou aquele chefe do Executivo nacional ou estadual. Porque, a meu ver isso gera até mesmo muita insegurança. O ideal seria o entendimento entre os dois poderes, como preconizado pela Carta da República, pela Constituição Federal para combater a crise que afeta o trabalhador”, concluiu Marco Aurélio.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Mais uma vez o Brasil pode ter um presidente, sem ser sido votado...

O PMDB anunciou nesta terça-feira o rompimento com o governo federal, o que eleva consideravelmente o risco de Dilma Rousseff sofrer um impeachment e de o país passar a ser comandado pelo vice Michel Temer, presidente da sigla desde 2001.
“Estamos vivendo um momento histórico”, disse o senador Romero Jucá (PMDB-RR) durante o anúncio da saída.
O fim dessa estremecida relação ocorre no momento em que o governo está mais frágil, atingido pela crise econômica e pela escalada de acusações e protestos pedindo o afastamento de Dilma.
Caso a presidente sofra mesmo um impeachment, o controle do Brasil cairá novamente no colo do partido após um momento de instabilidade política. Mesmo sem jamais ter conseguido eleger diretamente um presidente, nas últimas três décadas a legenda esteve quase sempre muito próximo do poder como aliado do governo, independente de qual fosse seu espectro ideológico – se mais à esquerda ou à direita.
Para cientistas políticos ouvidos pela BBC Brasil, tratou-se de uma estratégia deliberada da sigla, que chegou ao poder pela primeira vez indiretamente com a posse de José Sarney, vice do falecido Tancredo Neves, em 1985.
Depois disso, após duas tentativas frustradas de eleger um presidente em 1989 e 1994, os peemedebistas entenderam que teriam mais sucesso alcançando grandes bancadas na Câmara e no Senado, tornando seu apoio algo fundamental para a governabilidade.
A estratégia tem sido exitosa para o partido, que tem aumentado cada vez mais seu espaço na Esplanada dos Ministérios. No entanto, apesar de terem recebido sete pastas na última reforma realizada por Dilma, os peemedebistas diziam se ressentir de não ter poder decisório na formulação das políticas públicas.
“O PMDB, do Sarney para cá, sempre esteve no governo, mas nunca esteve no poder”, afirma Ibsen Pinheiro, presidente da sigla no Rio Grande do Sul, um dos principais focos de oposição à Dilma.

Vinte anos sem lançar candidato

Apesar de ser o maior partido do país, o PMDB não lança candidato a presidente desde 1994, quando Orestes Quércia recebeu apenas 1,24% dos votos, ficando em sexto lugar. Em 1989, Ulysses Guimarães – o “pai da Constituinte” – levou 4,7% dos votos, amargando o sétimo lugar na disputa.
“Foram duas derrotas fragorosas”, resume Antonio Lavareda, professor de ciência política da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco).
Na sua avaliação, esse fiasco tem a ver com o fracasso do governo José Sarney (1985-1990) no plano econômico. Em 1986, em balado pelo sucesso momentâneo do Plano Cruzado, que congelou os preços para estancar a inflação, o partido elegeu 22 dos 23 governadores. Logo após as eleições estaduais, o congelamento acabou, levando a uma disparada dos preços e da insatisfação popular.
“A população entendeu que houve estelionato eleitoral e não perdoou o partido nos pleitos presidenciais seguintes”, diz Lavareda.
Depois disso, avalia o professor, o PMDB entendeu que o melhor era se fortalecer regionalmente e eleger grandes bancadas de parlamentares.
“Derrotado duas vezes, (o partido) desenvolveu a estratégia de não disputar a cadeira presidencial e fazer alianças regionais, alianças estratégicas nos Estados, elegendo em alguns lugares governadores e senadores, mas sempre bancadas de expressão na Câmara que facultem sempre a participação no governo federal seja à esquerda ou à direita”, explica.
“Essa bancada serve também para o PMDB ter fundo partidário e tempo de televisão, o que torna as alianças com o partido uma coisa muito apetitosa nos momentos eleitorais.”
O PDMB não participou do início do governo Itamar Franco, que assumiu definitivamente a Presidência em dezembro de 1992, após o impeachment de Fernando Collor. O partido era, inclusive, crítico ao novo governo. Itamar voltou à sigla posteriormente, ainda durante sua gestão.

Metamorfose

Outro fator que explica a dificuldade do PMDB em lançar candidatos presidenciais e sua consequente opção pelo fortalecimento regional é a profunda metamorfose que o partido sofreu nas últimas décadas, passando de uma legenda progressista para uma sigla fragmentada e sem linha ideológica clara, afirma o cientista político Rafael Moreira, que pesquisa a sigla em seu doutorado pela USP.
O PMDB nasce como MDB (Movimento Democrático Brasileiro) formalmente em março de 1966, quando o regime militar instaurou o bipartidarismo no Brasil – a Arena era o partido governista e o MDB a oposição consentida. Dessa forma, predominavam no partido bandeiras democráticas e liberais, como voto direto e liberdades civis.
Em 1979, com o fim o bipartidarismo, a sigla ganhou seu nome atual – Partido do Movimento Democrático Brasileiro.
“O PMDB surge em 79 com uma composição muito de centro-esquerda, ainda tem comunista dentro dele. Só que vai se transformando ao longo dos anos”, observa Moreira.
Ao longo dos anos seguintes, explica o pesquisador da USP, quadros com perfis mais ideológicos vão saindo do partido para ingressar em siglas de esquerda que voltavam à legalidade, como PCB, PC do B e PSB. Em 1988, outro grupo progressista sairia do PMDB e fundaria o PSDB – entre eles estão Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin.
Por outro lado, o PMDB vai atraindo cada vez mais políticos “pragmáticos”, sem linha ideológica clara, muitos deles egressos da Arena (transformado em PDS) que buscavam de distanciar da ditadura conforme o regime ruía.
O próprio Sarney foi umas das principais lideranças do Arena e primeiro presidente do PDS. Ele entrou no PMDB para ser vice-presidente da chapa de Tancredo Neves, após ter perdido a indicação de seu partido para Paulo Maluf. A chapa peemedebista saiu vitoriosa em eleição indireta pelo Congresso Nacional – com a morte do presidente eleito pouco antes da posse, o líder maranhense foi empossado no cargo.
O PMDB tem uma vulnerabilidade que é sua principal virtude: seu grande aspecto ideológico. Isso vulnerabiliza o partido para formular uma proposta nacional e ter uma candidatura presidencial. É difícil você achar um nome de união nacional”, nota Ibsen Pinheiro.
“Mas isso lhe dá muita força regional em todos os Estados, em todos os municípios. E também lhe dá um papel central na superação de crises e um papel secundário na rotina administrativa”, acrescentou.
Para Pinheiro, essa realidade torna improvável que o PMDB lance candidato próprio em 2018. Moreira também considera mais viável o partido apoiar algum candidato tucano nas próximas eleições.
Já Lavareda diz acreditar que, caso Temer venha a ser presidente e faça um bom governo, possa tentar se candidatar à reeleição, mesmo que um acordo pelo impeachment com o PSDB preveja um compromisso de que isso não ocorra.
“Se o governo dele for absolutamente exitoso e a sociedade pressionar, forçando a revisão de um acordo, isso pode correr”, disse.
Embora o próprio Temer já tenha sido citado na Operação Lava Jato, a exemplo de outras lideranças do partido, como o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, parece haver cada vez mais apoio a um eventual governo peemedebista no Congresso. Os três negam participação no esquema.

Relações Desgastadas

A relação entre PT e PMDB teve seu ápice no segundo governo Lula, quando a popularidade do líder petista estava nas alturas, e vem se deteriorando desde que Dilma se tornou presidente.
A reedição da chapa Dilma-Temer em 2014 só teve apoio de 60% do PMDB em sua Convenção Nacional.
Com o avanço da crise econômica e o desgaste gerado pela Operação Lava Jato e a nomeação de Lula como ministro, a oposição ao governo vem crescendo a cada dia dentro do partido. Vale lembrar que a eleição municipal, que ocorre em outubro, torna ainda mais custosa a manutenção da aliança.
O quadro para a administração petista se tornou ainda mais dramático após o PMDB do Rio, que vinha sendo um dos principais bastiões de sustentação de Dilma dentro do partido, ter anunciado na última semana a retirada do seu apoio ao governo.
A resistência que ainda existe à saída vem principalmente dos integrantes que têm cargos. Nesta segunda, porém, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, entregou sua vaga. A expectativa é que seja estabelecido nesta terça um prazo para que os demais seis ministros e outras centenas de peemedebistas que ocupam cargos em escalões inferiores deixem o governo sem atropelo.
A notícia da saída do PMDB não é nada boa para a gestão Dilma, que teme que o desembarque do partido gere uma debandada de outras siglas da base.
Para tentar garantir o apoio mínimo necessário para barrar a abertura de um processo de impeachment na Câmara (172 votos, entre contrários, ausências e abstenções), o Palácio do Planalto tenta agora identificar os peemedebistas que ainda apoiam o governo para lhes dar os cargos que serão entregues pelo outro lado.
(Por isso sou a favor de uma grande reforma política, onde para ser candidato não precise de partido, e seja eleito sem compra de votos, e sim, que seja limpo, sem nenhuma ficha criminal, sem reeleição para todos cargos, de vereador a presidente da republica, e para ser vice ou suplente de senador tenha que ser votado também. Em minha humilde opinião, é aí onde está o golpe, ser presidente sem voto)...

segunda-feira, 28 de março de 2016

Pagamento de propina é prática antiga na Odebrecht, diz ex-funcionária...

Uma ex-funcionária da Odebrecht afirma que o pagamento de propinas a agentes públicos é uma prática antiga na empresa, segundo reportagem do Fantástico deste domingo (27). Conceição Andrade trabalhou como secretária do departamento financeiro da Odebrecht por 11 anos e guardou uma lista com mais de 500 nomes de políticos, empresários e agentes públicos que, segundo ela, recebiam propina da empresa na década de 80. A Polícia Federal afirma que está analisando a documentação.
Na semana passada, tornaram-se públicas planilhas que mostram doações feitas pela empresa a mais de 200 políticos de 24 partidos. Os políticos negam ter cometido irregularidades. Em despacho, o juiz Sergio Moro afirmou que vai decidir nesta segunda-feira se a lista será encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que nela aparecem nomes de políticos com foro privilegiado. O juiz também afirmou que é prematura qualquer conclusão sobre a natureza, lícita ou não, dos pagamentos que fazem parte da planilha.
Assim como nas planilhas divulgadas na semana passada, na lista de 1988 guardada por Conceição, os políticos são identificados com apelidos. Um codinome é jargão da Justiça: Capa Preta. Há ainda "Almofadinha", "Ceguinho", "Sabiá", "Mel", "Whisky", "Boca Mole", "Gambá, "Pequeno Suíno", entre outros. "Era o próprio pessoal da empresa que dava [esses apelidos aos políticos] de acordo com o momento, de acordo com a figura física de cada um deles", diz Conceição. "Eles faziam isso em tom de deboche."
Na terça-feira (22), os procuradores da Operação Lava Jato afirmaram que havia um setor na Odebrecht dedicado exclusivamente ao pagamento de propinas. Segundo Conceição, quando ela trabalhava na empresa, entre 1979 e 1990, esse setor ainda não existia. "[Antes], eles funcionavam com esquema de caixa dois paralelo ao esquema, à contabilidade da própria empresa. Não tinha um departamento separado como hoje", diz.
Documentação
A ex-funcionária afirma que guardou em casa, durante 25 anos, documentos que ela diz serem provas da corrupção que testemunhou e de que até fez parte quando trabalhou no departamento financeiro da Odebrecht. Ela diz que foi demitida por contenção de despesas. "Quando eu fui demitida da empresa, vieram dentro dos meus pertences pessoais. Quando eu cheguei em casa, eu percebi que tinha esses papéis da empresa. Eu não tive mais como devolvê-los. (...) Todos esses anos ficou [tudo] guardado", diz.
Após a demissão, Conceição afirma que entrou na justiça contra a empresa, cobrando direitos trabalhistas, mas perdeu. Questionada sobre o motivo de ter levado tanto tempo para divulgar os documentos, ela diz que, se fizesse isso na época, "seria uma briga de uma pequena com um sistema todo". "Eu fiquei com medo de retaliações, de agressões. Inclusive consultei algumas pessoas, e as pessoas me aconselharam a não mostrar", afirma. "Resolvi tornar público [agora] pela situação que o país está passando, e eu vi que era uma oportunidade para contribuir para poder passar esse país a limpo."
Mais de 500 nomes
A lista tem mais de 500 nomes, entre ex-ministros, ex-governadores, ex-prefeitos, senadores e deputados. Alguns dos citados já morreram. Os que continuam na vida pública estão em vários partidos, tanto da base do governo quanto da oposição, e há pelo menos um jornalista. O Fantástico não divulgou os nomes das pessoas que aparecem na lista, pois a polícia ainda não sabe se elas cometeram alguma irregularidade ou não. 
Apesar de a Polícia Federal ainda não poder afirmar que todas as anotações na lista se referem a propinas, Conceição se diz convencida. "Tudo isso era propina. Tudo que tem dentro, toda essa relação que existe nessa lista foi pagamento de propina, de caixa dois", diz.
Além da lista, a ex-funcionária guardou um dossiê com mais de 200 itens, entre bilhetinhos, contas, recibos e anotações feitas a mão.
Em um dos papéis, há um cálculo para pagar a uma pessoa identificada como "Azeitona" a comissão de 2% sobre a obra de irrigação do Formoso. Essa obra, segundo o site da Odebrecht, foi executada em Bom Jesus da Lapa (BA) nas décadas de 80 e 90. O rascunho do cálculo informa que o valor deve ser pago em "dólar black", que era o mercado negro de câmbio na época. Feita a conversão de 2% de mais de 700 milhões de cruzados, a moeda da época, dá US$ 28 mil.
Segundo Conceição, o pagamento em dólar não era incomum. "Havia pagamento em dólar (...) porque isso era exigência do político que ia receber a propina", diz. Outro rascunho da ex-funcionária revela a partilha da propina pela obra da adutora João Pessoa e os valores pagos a "Graviola", "Aviador", "Tênis", "Pardal" e "Pouca Telha".
Conceição diz que chegou a entregar dinheiro para políticos pessoalmente algumas vezes. "Tinham algumas políticos aqui de Salvador que algumas vezes iam receber o dinheiro dentro da própria empresa em 'cash'. E outras vezes a empresa repassava o dinheiro para os gerentes de obra, e eles distribuiam para os políticos daquela região. (...) [Era] bastante dinheiro. (...) Era 100 vezes mais do que eu ganhava", afirma.
Conceição afirma que acredita que, quando entrou na empresa, o esquema já existia, mas não tem certeza. Ela afirma que tudo era feito abertamente. "Todo mundo sabia na empresa. As pessoas do departamento financeiro sabiam e algumas pessoas fora sabiam que a empresa trabalhava com caixa dois", diz. Ela afirma que está disposta a falar com a polícia e com a Justiça se for chamada.
Análise da Polícia Federal
Em setembro de 2015, a ex-funcionária entregou a lista e os documentos para o deputado federal Jorge Solla (PT), que apresentou a documentação na CPI da Petrobras. Solla entregou os papéis também para o Ministério da Justiça, que os repassou para a Polícia Federal. A documentação está com a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros, no Paraná, já que seria de interesse da Operação Lava Jato.
Neste domingo, a Polícia Federal informou que os documentos estão sendo analisados e que, se comprovada a autencidade, eles serão incorporados ao banco de dados da Lava Jato, pois as informações podem ajudar a esclarecer pontos da investigação. Segundo a PF, mesmo que os papéis sejam considerados legítimos, não há como processar os envolvidos, pois os crimes já estariam prescritos.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Odebrecht informou que a empresa não vai se manifestar sobre a lista da ex-funcionária.

sábado, 26 de março de 2016

Não sobra um !!! Sucessores de Dilma, em caso de impeachment, estão na mira da Lava Jato !!! E agora ???

Eduardo Cunha, Michel Temer e Renan Calheiros, todos citados na Lava Jato
divulgação da planilha que mostra repasses da Odebrecht a políticos evidenciou que o alcance da Operação Lava Jato pode ser maior do que já tinha sido divulgado. Ainda que não esteja certo se os repasses foram feitos legalmente ou se são caixa dois, a lista menciona pagamentos a 200 políticos de 18 partidos. O elevado número de políticos deixou a situação da política brasileira ainda mais fragilizada. Os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também aparecem. Já o vice Michel Temer foi citado em outras fases da Operação Lava Jato. Isto coloca a linha sucessória da presidente Dilma Rousseff em uma situação delicada. 
Vice Michel Temer
Nesta terça-feira (23), a Procuradoria-Geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal uma petição para investigar entre outros o vice-presidente da República, Michel Temer. Temer é o primeiro da linha sucessória. Ele foi citado na delação do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS). Segundo o senador, Temer foi o grande patrocinador da indicação de Jorge Zelada, preso na operação, para a diretoria de internacional da Petrobras. Temer teria relação com o lobista João Augusto Henriques, que substituiu Nestor Cerveró na área Internacional da estatal. 
Presidente da Câmara, Eduardo Cunha
Primeiro político com foro privilegiado a se tornar réu na Lava Jato, Cunha é investigado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O processo contra ele no Supremo foi aberto na ação que investiga se ele recebeu propina. Nesta ação, Cunha é acusado pelo MPF de receber ilegalmente de US$ 5 milhões do consultor Julio Camargo. Segundo Janot, a propina é parte do contrato, feito sem licitação, para instalação de dois navios-sonda do estaleiro Samsung Heavy Industries em 2006 e 2007.Ele também é acusado de omitir contas na Suíça e por isso é alvo de um processo de quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que pode levar a sua cassação
Presidente do Senado, Renan Calheiros
Terceiro na linha sucessória, Renan teve os sigilos fiscais e telefônicos quebrados em dezembro no desenrolar da Lava Jato. Os pedidos ocorreram com base na suspeita de um contrato superfaturado da Transpetro, no valor de R$ 240 milhões, para a construção de comboios de barcaças em agosto de 2010.

Le Figaro questiona métodos do juiz Sérgio Moro na Lava Jato...

A edição desta sexta-feira (25) do jornal Le Figaro informa sobre as consequências explosivas da divulgação da lista de políticos brasileiros que receberam dinheiro da Odebrecht e a decisão de Marcelo Odebrecht de colaborar com a Lava Jato.
A correspondente Lamia Oualalou começa a matéria dizendo que o escândalo da Petrobras chegou a um ponto que até o perfil no Twitter da série americana House of Cards utiliza o turbilhão de acontecimentos do escândalo para fazer propaganda da série e de seu protagonista Frank Underwood, interpretado por Kevin Spacey. "A impressão é de que, no Brasil, a ficção não consegue mais acompanhar a realidade", escreve a jornalista instalada no Rio de Janeiro.
O número de envolvidos no caso, as doações lícitas e ilícitas aos partidos e políticos, além das reviravoltas diárias das investigações parecem mais surrealistas do que que uma trama de ficção. Mas é a realidade brasileira.
"O último episódio da operação Lava Jato é uma bomba", destaca o Le Figaro. Ele revela que a Odebrecht e seus principais concorrentes formaram um cartel para compartilhar os contratos da Petrobras, ferindo as regras de concorrência. Em troca, as empreiteiras pagavam propinas a executivos da Petrobras e financiavam ilegalmente os políticos, principalmente dos partidos governistas.
Le Figaro constata que Marcelo Odebrecht, herdeiro da construtora, acabou cedendo à delação premiada depois de passar nove meses em regime de prisão provisória e de ser condenado a 19 anos de prisão por corrupção e outros crimes, de uma forma expeditiva nunca vista antes no Brasil. "Daí sua decisão de colaborar com o juiz Sérgio Moro", afirma a reportagem.
"Juiz instrumentaliza a imprensa brasileira"
A correspondente do Figaro adverte, no entanto, que as investigações da Lava Jato acontecem "em meio a uma grande confusão, na qual parte da imprensa brasileira é instrumentalizada por Moro". "O juiz do Paraná vaza informações para chamar a atenção da mídia e manter o escândalo no noticiário", escreve Lamia Oualalou.
"Foi o que fez o portal UOL", na última quarta-feira, "publicando as planilhas com pagamentos da Odebrecht a políticos de 24 partidos, tanto da oposição como da base governista". "Além do caso da Petrobras, esses documentos mostram o superfaturamento de obras dos Jogos Olímpicos do Rio e da Copa do Mundo", relata a jornalista. Ela ressalta que não se sabe se os pagamentos são legais e declarados ou foram feitos por caixa dois.
A reportagem estima que esse episódio relança o debate sobre os métodos de investigação. Os documentos da Odebrecht divulgados pela Polícia Federal (PF) demostram que a PF também tomou gosto pelos vazamentos. Mas o juiz Sérgio Moro colocou os documentos rapidamente sob sigilo.
"É estranho que o  primeiro documento que expõe políticos da oposição tenha merecido uma reação tão rápida de Moro, o mesmo juiz que tomou a liberdade de divulgar as escutas telefônicas entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula na semana passada", destaca a jornalista. Na sequência, ela explica que o vazamento do diálogo de Dilma e Lula levou à suspensão da momeação do ex-presidente na Casa Civil, e ainda foi parar no Supremo Tribunal Federal, onde os juízes estão divididos sobre os métodos do juiz Sérgio Moro.
O texto conclui que a presidente Dilma continua ameaçada de destituição, mas os benefícios da Lava Jato, que expôs o maior escândalo de corrupção já descoberto na história do Brasil, também estão ameaçados pela atuação truculenta do juiz Sérgio Moro.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Obama diz esperar que Brasil resolva crise política 'de forma eficaz'...

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, se encontrou com presidente da Argentina, Mauricio Macri, nesta quarta-feira (23)  (Foto: Pablo Martinez Monsivais/AP)
Em sua primeira visita à Argentina, o presidente dos EUA, Barack Obama falou sobre a crise política brasileira durante entrevista coletiva ao lado do presidente argentino Mauricio Macri.
Questionado sobre o assunto, ele disse que não discutiu o tema "extensivamente", com Macri, mas disse que ambos esperam que o Brasil resolva "de forma eficaz" a questão.
"O Brasil é um país grande, é amigo dos nossos dois países. A boa notícia -- e o presidente Macri apontou isso -- é que a democracia deles está madura. Acho que os sistemas de leis e estruturas são fortes o suficiente para que isso seja resolvido de forma que o Brasil prospere e seja o líder mundial que é", disse Obama.
"Precisamos de um Brasil forte e eficiente para nossa própria economia e para a paz mundial", acrescentou.
Macri disse que acompanha de perto a questão, citando o "afeto dos argentinos pelo povo brasileiro" e o fato de o país ser seu principal sócio estratégico no mundo.
"Estamos convencidos de que o Brasil vai sair fortalecido dessa crise e esperamos que saiam o antes possível. O que acontece no Brasil afeta nosso país", completou o presidente argentino.

Líder do DEM é condenado a devolver R$ 4,6 milhões...

QUE MORAL !!!
O líder do DEM, deputado Pauderney Avelino (AM)
O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Pauderney Avelino (DEM-AM), foi condenado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) a devolver R$ 4,6 milhões aos cofres públicos do Amazonas e multado em R$ 23 mil. A acusação é de que Pauderney, no período em que era secretário da Educação de Manaus, teria superfaturado contratos de imóveis alugados pela prefeitura para a instalação de escolas. A decisão foi divulgada na última quarta-feira, 16, e está suspensa até hoje devido a apresentação de embargos pela defesa do parlamentar.
Um dos principais líderes da oposição na Câmara, Pauderney disse que foi pego de "surpresa" com a determinação, que classificou como "esdrúxula". Ele também culpabilizou o PT, afirmando que a condenação é consequência de um "ataque" da legenda contra ele. A denúncia, apresentada pela conselheira Yara Lins e acatada pelos membros do TCE-AM, tem como base uma representação de 2013 do vereador Bibiano Simões e do deputado estadual José Ricardo Wendling, ambos integrantes do Partido dos Trabalhadores.
Bibiano negou haver viés partidário na acusação, enfatizando que o pedido de investigação contemplou também a gestão anterior - o ex-secretário da Educação Mauro Lippi foi condenado no mesmo processo. "Na época, Pauderney não era líder da oposição, era apenas secretário, portanto não existe lógica nessa teoria", comentou. "Essa veste da moral que o Pauderney vestiu tem que ser despida. Como ele pode fazer esse discurso quando comprovadamente praticou um crime? A oposição deveria escolher alguém com moral para fazer questionamentos ao governo."
Pauderney afirmou que a condenação não "enfraquecerá" a sua posição na Câmara. "Quem não deve não teme, pode vasculhar minha vida toda, eu não fui parte nesse processo", disse o deputado, que considera que a responsabilidade do caso é da prefeitura. "Podem fazer o que quiserem, minha luta é pelo processo político, pelo impeachment da presidente (Dilma Rousseff)", completou. Na noite desta terça-feira, 22, o parlamentar foi ao plenário para se defender e voltou a criticar Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suspeitas de corrupção.
Ele destacou que não teve direito à defesa durante o processo do TCE. Contudo, de acordo com o advogado de Pauderney, Luís Felipe Avelino, sobrinho do deputado, a defesa teve a oportunidade de se manifestar pelo menos cinco vezes sobre o caso, "explicando que os contratos investigados pelo TCE não foram apresentados a eles". "Há cerceamento de defesa. O Pauderney não tem como se lembrar de cada um dos processos que participou, que participou não, porque ele não participava", defendeu o advogado. Outro argumento da defesa é que o nome de Pauderney não constava na pauta de julgamento, uma falha que poderia invalidar todo o processo.
Apesar de Luís Felipe admitir a assinatura do deputado em alguns contratos, ele minimizou a sua responsabilidade, afirmando que outros órgãos faziam a análise dos imóveis, como a Comissão de Avaliação de Imóvel (COAVIL) e a Procuradoria Geral do Município (PGM). "O gestor não tem competência para discordar do parecer técnico. Se a procuradoria apontou que não havia irregularidade, ele não tinha como dizer que aquilo estava errado. Na verdade, não estava", disse Luís Felipe. Na decisão do TCE, a coordenadora da COAVIL, Norma Fonseca, foi condenada a pagar uma multa de R$ 8,7 mil por contribuir para falhas em um dos contratos.
Durante a fiscalização do TCE, técnicos encontraram diversas irregularidades, como a existência de contratos de aluguel com pessoas que não comprovaram ter a posse dos imóveis e pagamentos de valores acima do preço médio de mercado. No ano em que Pauderney foi secretário da Educação, a prefeitura aumentou o pagamento mensal de aluguéis para prédios escolares de R$ 117 mil para R$ 123 mil, enquanto o preço avaliado pelos fiscais seria de R$ 64 mil. Em seu voto, Yara Lins listou a falta de processo licitatório e ausência de diversos documentos. 
Pauderney Avelino, atuou como secretário municipal de Educação, na gestão do ex-prefeito Artur Neto (PSDB), no período de janeiro a dezembro de 2013. Já o ex-secretário Mauro Lippi foi titular da pasta na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes, na época do PTB e hoje do PDT, em 2012.
Leia Mais:http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,lider-do-dem-e-condenado-a-devolver-r-4-6-milhoes,10000022770
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Ex-ministro dos governos José Sarney e FHC,Bresser-Pereira diz que impeachment é "golpe branco"...

Ex-ministro dos governos José Sarney e Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira disse hoje (22) que considera o processo de impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff um "golpe branco". Segundo ele, a crise atual repete as que antecederam as quedas dos ex-presidentes Getúlio Vargas e de João Goulart.

"Essa crise é muito estranha porque é uma crise em uma democracia que eu entendo consolidada. É uma crise que repete crises passadas, é uma crise em que liberais derrotados nas eleições resolvem tentar dar o golpe de Estado. Isso aconteceu no Brasil inúmeras vezes", disse Bresser-Pereira em entrevista ao programa Espaço Público, da TV Brasil.

"Em 1954, o Getúlio Vargas foi derrubado nessas condições. Em 1964, João Goulart foi assim. Sempre a UDN, que era o partido liberal. Agora é a mesma coisa, mas é o PSDB, meu ex-partido, que virou partido liberal. Tudo é sempre feito em nome da moralidade pública. Como se, de repente, a moralidade pública estivesse encarnada nesses liberais e jamais existisse do outro lado", disse.

No entanto, de acordo com o ex-ministro, na crise atual, diferentemente das anteriores, um setor da classe média radicalizou o discurso, e começou a agir com "ódio" contra o governo. "Em nenhuma das outras vi tanto ódio. Isso me surpreendeu muito já em 2014. Havia um setor da classe média que radicalizou e começou a agir com um ódio em relação ao PT e em relação a Dilma e Lula que eu nunca vi na minha vida."

"No tempo do golpe militar, por exemplo, havia uma preocupação da direita com um possível golpe socialista, o que era bobagem, mas enfim, era razoável o medo, e havia medo. Mas não havia ódio. Agora tem ódio. E, na minha opinião, quando isso acontece, quando aparece o ódio, é porque não há razão", analisou.

Bresser Pereira destacou diz que não acredita que Dilma sofrerá impeachment porque o Brasil tem uma democracia consolidada. "O impeachment só se justifica nos momentos em que o presidente cometeu algum crime. Não há crime, desde o começo não há. Acho que nós estamos em uma democracia consolidada e isso seria um golpe muito sério na democracia."

Ex-ministro da Fazenda no governo José Sarney, da Administração Federal e Reforma do Estado, e de Ciência e Tecnologia no de Fernando Henrique Cardoso, Bresser-Pereira é economista, cientista político, administrador de empresas e bacharel em direito.

Transmitido pela TV Brasil toda terça-feira, às 23h, o programa Espaço Público é apresentado pelos jornalistas Paulo Moreira Leite e Florestan Fernandes Júnior.

terça-feira, 22 de março de 2016

71 dos 513 dos deputados mudam de sigla durante janela partidária...

Hoje, a Câmara possui 23 comissões permanentes temáticas, que têm como finalidade discutir e deliberar sobre projetos de lei. Esse número deve aumentar para 25 com a criação de uma comissão para tratar de questões ligadas às mulheres e outra para lidar com temas relacionados a idosos.
Todo início de ano, a composição das comissões deve ser renovada, o que ainda não aconteceu neste ano. Por conta da janela partidária, as comissões estão sem funcionar desde o início do ano, paralisando a tramitação de propostas na Casa. 
Entre as propostas paradas na CCJ está a que recria a Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF), uma das principais apostas do governo federal para fechar as contas públicas.
Confira quem mais ganhou e quem mais perdeu na janela partidária (pela ordem do maior saldo negativo para o maior positivo):
PMB
Perdeu 19 e não ganhou nenhum
Saldo = -19
PSDB
Perdeu 4 e não ganhou nenhum
Saldo = -4
PROS
Perdeu 7 e ganhou 3
Saldo = -4
PSB
Perdeu 3 e não ganhou nenhum
Saldo = -3
PTB
Perdeu 4 e ganhou 1
Saldo = -3
PEN
Perdeu 1 e não ganhou nenhum
Saldo = -1
SD
Perdeu 3 e ganhou 2
Saldo = -1
PTC
Perdeu 1 e não ganhou nenhum
Saldo = -1
PMN
Perdeu 1 e não ganhou nenhum
Saldo = -1
PPS
Perdeu 1 e ganhou 1
Saldo = 0
PT
Perdeu 1 e ganhou 1
Saldo = 0
PV
Perdeu 1 e ganhou 1
Saldo = 0
PSL
Perdeu 1 e ganhou 1
Saldo = 0
PMDB
Perdeu 4 e ganhou 5
Saldo = +1
PRB
Perdeu 2 e ganhou 3
Saldo = +1
PDT
Perdeu 3 e ganhou 4
Saldo = +1
PTdoB
Perdeu 1 e ganhou 2
Saldo = +1
PSD
Perdeu 4 e ganhou 6
Saldo = +2
PHS
Perdeu 1 e ganhou 4
Saldo = +3
PR
Perdeu 4 e ganhou 9
Saldo = +5
PTN
Perdeu 2 e ganhou 9
Saldo = +7
PP
Perdeu 2 e ganhou 10
Saldo = +8

segunda-feira, 21 de março de 2016

‘Temer deve descartar reeleição e compor equipe surpreendente’...

 Gilmar Mendes, Armino Fraga e José Serra
O senador José Serra (PSDB-SP) afirmou, em entrevista exclusiva ao Estado, que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) deve assumir compromissos com a oposição e com o País caso Dilma Rousseff seja afastada da Presidência. Para o tucano, o vice tem de se comprometer a não concorrer à reeleição, não interferir nas disputas municipais deste ano, não promover uma caça às bruxas e montar um Ministério “surpreendente”.
Serra tem conversado com empresários, nomes do mercado e do Judiciário e com políticos sobre a possibilidade de Temer assumir, caso Dilma seja afastada pelo Congresso. Entre esses interlocutores estão os ex-ministros Nelson Jobim e Armínio Fraga, o deputado Roberto Freire (PPS-SP) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Apesar de sempre ser apontado como provável ministro de Temer, ele diz que o PSDB deve esperar para discutir cargos.
No entanto, o senador, economista de formação, está ajudando Temer nos primeiro diálogos sobre o chamado Plano de Reconstrução Nacional, e aponta as áreas da infraestrutura e de exportações como vitais para o sucesso da empreitada.
Qual a expectativa do senhor para o desenrolar da crise?
Eu acho altamente provável que o impeachment se materialize. Que a Câmara considere o processo admissível, o Senado, idem, e que o Senado vote com os dois terços necessários para completar o processo de impedimento. Minha avaliação é que isso tende a acontecer.
E qual a avaliação pessoal do sr. sobre o impeachment?
Seria melhor para o País, para a política e para ela própria que a presidente Dilma renunciasse, mas essa é uma decisão que cabe exclusivamente a ela e que depende de fatores objetivos, que nós conhecemos, e subjetivos, que são difíceis de avaliar em relação a ela própria. Não vai aqui nenhuma questão de natureza pessoal ou de fundo oposicionista. É uma realidade cada vez mais clara para todos. Eu penso assim desde o início do segundo mandato dela.
Se o impeachment se concretizar, como deve ser o novo governo?
Ocorrendo o impeachment, assume o Michel Temer. Não acredito que o afastamento da presidente vá se dar pelo Tribunal Superior Eleitoral por uma questão de tempo, e a crise se aprofunda exponencialmente a cada semana, a cada dia. O Michel Temer assumindo, eu diria que deveria se batalhar para se formar um governo de união e de reconstrução nacional, com todas as forças interessadas na recuperação do País. Creio que, pelo lado do Michel, haverá a necessidade do compromisso de ele não disputar a reeleição. Um compromisso que vai se materializar facilmente na medida em que o Senado vote a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) pelo fim da reeleição.
E quais os outros pontos?
Nenhuma força oposicionista hoje pode se furtar a contribuir para que esse novo governo dê certo, independentemente dos interesses para 2018. A população jamais entenderá se alguma força política que tenha ajudado a remover a presidente Dilma se furtar a cooperar. As pessoas pedem a mudança para que o País possa ser refeito. A população não está aflita porque eventualmente não gosta do Lula ou da Dilma, mas porque a queda de renda das famílias, o desemprego, a deterioração dos serviços têm exasperado o Brasil de ponta a ponta. É importante que o novo governo evite se meter nas eleições municipais deste ano e nas estaduais mais adiante, porque isso seria um fator de desestabilização. O outro ponto é não retaliar o passado. O novo governo não deve realizar nenhum tipo de retaliação a nenhuma força política. Seja das que participam, seja das que foram derrotadas.
Mas e a formação do novo Ministério?
Eu ouvi outro dia uma expressão muito feliz do ex-ministro Nelson Jobim: nós devemos ter um ministério surpreendentemente bom, que seja uma surpresa em matéria de boa qualidade.
Sem critérios políticos?
Os critérios têm de ser da qualidade e do espírito público. É evidente que você vai fazer composições políticas. Mas os setores essenciais devem estar sob comando de figuras públicas com alta qualidade executiva e espírito público.
O sr. deixa claro, então, que o PSDB, se chamado, deve participar?
O PSDB será chamado e terá a obrigação de participar. Sem abdicar de suas propostas e convicções. Em um partido sério, toda participação em governo que não é o seu exige mão dupla. Você apresenta as ideias e se dispõe a cooperar. Daí nasce uma boa aliança.
Quais pontos são os mais urgentes?
As duas áreas mais críticas hoje são a economia e a saúde. Com relação à economia, não sou pessimista. Tudo que está acontecendo de pior tem se devido às expectativas. As coisas ruins acontecem porque você acha que acontecerão coisas ruins. Um presidente de uma multinacional que opera no Brasil disse que ia postergar por dois anos um investimento de R$ 6 bilhões porque não sabe o que vai acontecer. Isso não é conspiração das multinacionais; é uma avaliação do quadro econômico e da capacidade do governo de governar. Nenhum empresário investe para perder dinheiro. Os consumidores que têm recursos postergam os planos. Uma mudança vai criar expectativas favoráveis, sobretudo se tiver qualidade surpreendente.
Isso é suficiente?
Isso pode representar a ponta de um barbante para desatar o nó econômico, embora por si só não vai resolver a médio e longo prazo. Mas permite encerrar um ciclo vicioso e substituí-lo pelo virtuoso. A derrocada econômica brasileira se dá em um contexto internacional que não é eufórico, mas não é depressivo. Essa derrocada tem causas endógenas, foi causada por fatores domésticos. Essa é uma má notícia, mas ao mesmo tempo boa, no sentido de que a recuperação está nas nossas mãos, não nas mãos da economia mundial.
É só uma questão de expectativas?
Nós não estamos com problemas de balanço de pagamentos. Temos reservas abundantes, que cobraram alto custo em termos de endividamento público, mas já estão aí. Não há gargalo externo e a taxa de câmbio está em um nível bom. O câmbio vai exercendo papel favorável no sentido de aumentar a competitividade das exportações. O cansaço com a crise, inclusive na área política, permitirá desarmar bombas fiscais presentes e futuras. Eu sinto um clima favorável a reformas. O Real deu certo em grande medida pelo fator cansaço. Foi o nono plano de estabilização desde o inicio dos anos 80.
Há áreas prioritárias?
Todas as sociais, em tese, necessitam mais recursos. Mas há uma na qual a melhora da gestão tem papel essencial, que é a saúde. Se você repuser uma administração competente e austera, você já vai ter avanço. As atuais epidemias são um reflexo do baixo investimento em saneamento e em campanhas educativas.
Além da saúde, outras áreas?
Há uma demanda reprimida em relação à infraestrutura. Investir é prioritário: puxa a demanda e aumenta a produtividade. Outro setor chave é o das exportações. Há uma medida imediata, que é suprimir a cláusula de união alfandegária do Mercosul. Hoje, o Brasil só poderia fazer um acordo com a Índia, por exemplo, se Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela forem juntos. Não é incrível? Outra área é a de energia. Isso exige a reestruturação de todo o setor elétrico, que é complexa. Na Petrobrás, seria preciso seguir a política do Banco do Brasil, que privatizou a área de seguros e arrecada um bom dinheiro. É o que a Petrobrás deveria fazer com a BR Distribuidora, para passar de ser uma área de desvios políticos para uma área que ajude a Petrobrás.

Fim da contribuição sindical é discutida no Senado...

Todo ano, no mês de março, o valor equivalente a um dia de trabalho é descontado do salário de empregados com carteira assinada e de servidores públicos. Trata-se de uma contribuição obrigatória repassada aos sindicatos, para auxiliar no custeio de suas atividades. Vale para todos, filiados ou não às entidades representativas.
A obrigatoriedade da contribuição, no entanto, pode acabar: está em discussão no Senado a PEC 36/2013, apresentada pelo senador Blairo Maggi (PR-MT), que retira da Constituição o dispositivo que estabelece essa cobrança. Blairo argumenta, na justificação do projeto, que “a entidade sindical tem a obrigação de se fazer relevante para seus representados, não em virtude de lei, mas em razão de sua capacidade efetiva de representá-los e de fazer diferença na defesa de seus interesses”.
A proposta foi debatida em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos, em 19/10/2015. O senador Paulo Paim (PT-RS), presidente da CDH, pediu cautela na análise da PEC e lembrou que as entidades sindicais negociam  e firmam acordos em nome de toda a categoria, não apenas de seus filiados. Participaram do encontro entidades representantes de trabalhadores da iniciativa privada e de servidores públicos. Todos se posicionaram contra a PEC.
Sob a relatoria do senador José Medeiros (sem partido –MT), que manifestou-se favorável à proposição, o projeto está na Comissão de Constituição e Justiça. Na CCJ, decidiu-se pela realização de nova audiência pública sobre o tema, ainda sem data marcada.
E você, o que acha? Dê sua opinião.

Agencia Senado

sábado, 19 de março de 2016

Jovem divulga carta após ser agredida por estar com bicicleta vermelha...

Jovem é agredida na Paulista por estar com bicicleta vermelha
Na noite desta quinta-feira (17) circulou nas redes sociais um vídeo de dois jovens que andavam na Av. Paulista e foram acuados por manifestantes. Durante o ato, os protestantes gritavam "Fora PT! E leva a Dilma com você!". De repente, um grupo de pessoas se aglomerou em volta de dois jovens, sendo um deles com uma bicicleta vermelha.
Uma das jovens foi identificada pela Revista Fórum como sendo Isadora Shutte, que escreveu um depoimento em sua página no Facebook, relatando o ocorrido.
“Bom dia,
Gostaria de expressar o asco e decepção que eu senti na noite de ontem, e contar como as coisas realmente aconteceram.
Às 18h30, eu sai do meu trabalho próximo a rua da Consolação como todos os dias. E o Lucas, meu companheiro, foi me buscar de surpresa. Eu estava de bike e ele estava de skate. Quando nos aproximamos do Masp vimos a via da ciclo-faixa congestionada de pessoas carregando bandeiras do Brasil, e com cartazes contra a posse do Lula no ministério da Casa Civil, etc.
Eu sou contra essas manifestações, acho realmente uma palhaçada, mas respeito o direito de opinião política de qualquer pessoa, esquerda, direita, ou o que seja. Quando nos aproximamos, eu gritei “Sai da frente, vocês estão congestionando a via”, ninguém se moveu, apenas olharam pra gente e começaram a gritar seus discursos de ódio ao PT. Um homem muito mal educado veio com um auto falante e gritou no meu ouvido “Lula ladrão”, enquanto eu insisti em pedir para descongestionar a via.
Nesse momento eu e o Lucas já éramos o centro da atenção dos “manifestantes”, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, expressar qualquer opinião política ou simplesmente dar um jeito de passar por ali para voltar pra minha casa, já ouvíamos coisas do tipo “eles têm cara de comunista ladrão”, “a bicicleta é vermelha, vai pra Cuba”, E um bando de gente ignorante, sem educação, sem noção de civilidade soltando merda pela boca, afinal eu não comprei uma bicicleta vermelha pra homenagear o PT.
Quando eu me dei conta do que estava ouvindo, fiquei nervosa, e as pessoas já estavam nos rodeando e xingando sem motivos. Eu mostrei o dedo do meio pra um babaca que tava gritando do meu lado e tentamos nos retirar dali quando um animal sem noção me empurrou da bicicleta e eu cai no chão. Nesse momento as coisas já estavam fora de controle, muitas pessoas acertavam o cano das bandeiras na nossa cabeça, nos empurravam, puxavam minha bicicleta e gritavam com força discursos de ódio absurdos… Ouvi tantas coisas que nem consigo citar tudo mas me lembro bem de vários rostos e das vozes “putinha comunista”, “vadia”, “vai pra Cuba filha da puta”, “petista ladrão”,” não vou deixar você destruir o meu Brasil”.
Eu não tenho medo de playboy ignorante e de início não me dei conta que eles eram em muitos. As pessoas viam a confusão de longe e já colavam gritando e nos xingando sem nem saber o que estava acontecendo. Eu tentava me defender, segurava as bandeiras que eles estavam nos acertando e procurava um jeito de sair dali. O Lucas tentava me proteger dos vândalos, enquanto puxava minha bike porque os animais estavam tentando roubar do outro lado. Nessa hora vi varias pessoas começando a gravar e fomos sendo empurrados para dentro do vão do Masp.
O Lucas estava preocupado, querendo sair logo dali e eu estava muito exaltada e desacreditada daquela situação toda, tentando exigir o meu direito de passar na rua, de ter uma bicicleta vermelha, de ter minha opinião política, e não ser linchada por isso.
De repente vi o Lucas olhando no olho de um idiota que agredia a gente com tapas na cabeça e falando “meu, para com isso, você tá batendo em uma mina, a gente só tá tentando voltar pra casa”. E segundos depois o imbecil olhando no fundo dos olhos dele deu uma cabeçada nele. Não foi nenhum ferimento grave, mas na hora ele estava com o rosto sangrando muito, e nesse momento eu fiquei apavorada, gritava pra alguém chamar a policia, afinal estávamos na frente de uma base policial.
Nessa hora já tinham muitas e muitas pessoas nos ofendendo e tentando nos agredir e uns 3 homens que eu acredito que também eram manifestantes, porém civilizados, tentavam barrar as agressões e falavam repetitivamente que a gente tinha que sair dali rápido, para pularmos do vão que estávamos para a rua de baixo.
Foi assustador, um homem cuspiu no meu rosto, ouvíamos muitos xingamentos e eu não queria fugir dali e deixar esse bando de retardados impunes. Quando eu me dei conta que não tínhamos escolha, pulamos, e atravessamos a rua.
Alguns repórteres foram falar com a gente, disseram que a gente tinha que fazer um boletim de ocorrência, falaram que havia tudo filmado e que nos mandariam o vídeo. Atravessamos a avenida até a base policial, eu ainda estava nervosa, tremendo, assustada com a situação inteira, e tentei explicar pro policial o que havia acontecido.
Ele nos disse “ Acho melhor vocês fazerem um B.O. on-line”. O Lucas estava sangrando e o agressor estava do outro lado da rua, e o policia militar me diz isso? Começamos a fazer um escândalo, falei que isso era um absurdo, e que ele tinha que ir la com a gente pegar o cara porque a gente queria ir pra delegacia. Tinha um repórter com tudo gravado com a gente e ele mostrou o vídeo para o PM, que pediu que aguardássemos o superior dele chegar.
Quando ele chegou fomos atrás do indivíduo da cabeçada acompanhados da Policia Militar, que pediu que não respondêssemos as provocações e apenas mostrassemos quem a gente conseguia identificar como agressor. Encontramos ele e a policia pediu que ele nos acompanhasse porque ele foi acusado de agressão. O filho da **** teve a cara de pau de dizer que ele que queria me denunciar por roubar a bandeira dele, que por acaso era a bandeira que ele acertava na minha cabeça.
Seguimos para a delegacia, enquanto ele ria da nossa cara, mandava beijinhos e espalhava seu veneno de coxa escroto.
Na delegacia, depois de 2h, conseguimos ser ouvidos e dar o nosso depoimento. O animal de nome Marcelo, alegou que nós o agredimos, mostrou arranhões nos braços e nos acusou de agressores, o que fica claro no vídeo que é mentira, primeiro porque é muito óbvio quem que tá sendo agredido, segundo porque o imbecil usava um casaco na hora da confusão que torna impossível que eu tenha arranhado ele nos braços. Depois de 3 horas, saímos os três, eu o Lucas, e o delinquente como “autores-vitimas” do caso, que vai ser julgado em tempo indeterminado.
Gostaria de expressar, que sim eu sou de esquerda, sim eu respeito a democracia e acredito que a Dilma tem que terminar o mandato dela a menos que tenham provas criminais contra ela, que no caso NÃO TEM. Sim, eu acho um absurdo o que a mídia golpista tá fazendo, acho um absurdo a forma com que tratam o Lula e não fazem o mesmo com outros políticos que têm acusações bem mais sérias, sim eu acho um absurdo pessoas pedindo o impeachment sendo que o vice é um imbecil que pertence ao partido mais corrupto do país, sim eu acho um absurdo a classe privilegiada querer destruir um partido que fez grandes avanços sociais apenas porque não querem dividir seus ambientes, sim eu acho ridículo playboy que sempre teve tudo na vida com cartazes contra o Bolsa Família, cotas, Fies e etc, sim eu acho o cumulo do absurdo a classe média branca e reaça pedindo intervenção militar depois do período assustador de 64. Também gostaria de dizer que eu não sou petista, e que eu jamais agrediria uma pessoa só por ter opinião politica diferente da minha, ainda que eu sinta vontade, eu nunca faria isso.
Eu fico triste pela situação que temos hoje no brasil em que eu não sei quem é mais doente, o governo, a oposição, ou a população. Fico triste pela ignorância das pessoas, pelo desconhecimento político das pessoas, pelos discursos falidos de quem nem sabe o que está fazendo ali, sinto muito pela ingenuidade deles em acreditar que uma pessoa é responsável por todo um sistema de corrupção que existe há anos, sinto muito pela intolerância, pelo ódio que nos divide, sinto muito em ver que essas manifestações da direita são mais uma festinha pra postar foto no Instagram do que realmente a defesa de uma ideologia ou causa. Me sinto responsável e protagonista assim como todos que acharam um absurdo tal nível de violência, de combater isso. Devemos agradecer a democracia e preservá-la, independente do lado que estamos.
Agradeço de coração mesmo a todos que se solidarizaram, professores, amigos, familiares, e desconhecidos, alguns pró outros contra governo, que acharam um absurdo tal nível violência. Não vamos aceitar fascismo, agressão e intolerância política, afinal vivemos um país livre e democrático.
E por último, eu sinceramente adoraria ir pra cuba."
Veja o video abaixo:
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