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sábado, 28 de abril de 2012

Em 20 anos, cerca de 70% das mortes de jornalistas ficaram impunes no Brasil;

Aproximadamente 70% dos assassinatos de jornalistas registrados no Brasil nos últimos vinte anos ficaram impunes, segundo levantamento da organização americana CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas).
O caso mais recente é o do repórter de política e blogueiro Décio Sá, baleado em um restaurante no último dia 23 em São Luís (MA). Sá trabalhava no jornal O Estado do Maranhão, da família do presidente do Senado, José Sarney.
O CPJ contabilizou 20 assassinatos entre 1992 e 2012 no Brasil, sendo que 14 não foram punidos. Outros seis foram parcial ou totalmente esclarecidos e seus culpados punidos.
O Brasil foi classificado pelo comitê em 11º lugar entre os países onde há mais impunidade contra profissionais da imprensa.
'Os crimes contra jornalistas continuam sendo um dos principais problemas que a imprensa enfrenta nas Américas', afirmou em nota Gustavo Mohme, da Sociedade Interamericana de Imprensa, após a morte de Sá.
Contudo, o levantamento da CPJ está desatualizado. A organização contabilizou em 2012 apenas o assassinato do jornalista Mário Randolfo Marques Lopes, em Vassouras (RJ), em fevereiro.
Não foram incluídos no estudo a recente morte de Sá e os assassinatos do radialista Laécio de Souza, da rádio Sucesso FM, de Camaçari (BA), ocorrida em janeiro, e do repórter do Jornal da Praça e do site Mercosulnews Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, em Ponta Porã (MS), em fevereiro.
Esclarecido
Apenas um dos quatro assassinatos de jornalistas de 2012 foi esclarecido pela polícia, o de Laércio Souza.
Segundo a Polícia Civil da Bahia, ele foi morto por criminosos em janeiro, na cidade de Simões Filho (região metropolitana de Salvador) após descobrir e denunciar um esquema de narcotráfico que operava em uma comunidade onde ele planejava realizar trabalhos sociais.
Um suspeito foi preso e aguarda julgamento. Um adolescente foi apreendido e submetido a 45 dias medida socioeducativa. Um segundo adolescente que participou do crime foi achado morto.
A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão afirmou que um suspeito chegou a ser detido, mas não foi formalmente indiciado.
Já as mortes de Rodrigues e Lopes permanecem sem solução.
Intimidação
Segundo a pesquisa do CPJ, a maior parte das vítimas são jornalistas que denunciaram casos de corrupção.
No segundo lugar do ranking vêm os repórteres policiais e em terceiro aqueles que escrevem sobre temas políticos.
Porém, mais comuns que os assassinatos são os casos de intimidação e ameaças.
Após escrever reportagens sobre assassinatos extrajudiciais cometidos por maus policiais em 2003, o repórter especial paulistano J., de 54 anos, que não terá o nome revelado, começou a receber ameaças e teve que 'desaparecer' por 40 dias. Depois trabalhou por mais de quatro meses protegido por uma escolta armada.
'Muda tudo na sua vida. Você se dá conta que é extremamente vulnerável', afirmou J.
'A minha família ficou desesperada, se eu atrasasse cinco minutos era motivo para muita preocupação. Quase entrei em depressão', disse.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Mazzaropi ganha diversas homenagens

Amácio Mazzaropi (1912-1981), que marcou o cinema brasileiro com a figura do Jeca Tatu, completaria cem anos no dia 9 de abril.
Para comemorar o seu centenário, foram montadas mostras de cinema em São Paulo e eventos em Taubaté (a 130 km da capital), cidade onde o artista viveu a maior parte de sua vida.
A partir de hoje, a Cinemateca exibe 12 longas que marcaram a trajetória do artista paulistano.
"A partir do nosso acervo, selecionamos os títulos mais importantes, como 'Sai da Frente', o primeiro longa do comediante, em que já aparece a figura do caipira, o personagem Candinho, que evoluiria para o Jeca Tatu", conta Rafael Carvalho, programador da Cinemateca.
Mazzaropi começou sua carreira no rádio, passou pela televisão, mas, depois do primeiro filme, em 1950, não saiu mais do cinema.
Chegou até a criar a sua própria produtora, a Pam Filmes, em 1958, que teve início com o filme "Chofer de Praça".
"Todo o dinheiro que ele recebia gastava com equipamentos e produção. Ele queria criar uma indústria do cinema no Brasil", conta Soleni Fressato, autora do livro "Caipira Sim, Trouxa Não", que fala sobre a importância do trabalho do artista e do seu personagem.